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| ISBN | 972-99827-1-6 |


Espigueiros
Primeira obra literária de Paulo Barreto, ESPIGUEIROS “pão com estórias” oferece aos seus leitores “estórias” protagonizadas pelas gentes do Vale do Âncora.
Lado a lado com diversas imagens pictóricas de espigueiros, é descrita a vida das gentes de Âncora em tempos difíceis.
“Apresentado na primeira pessoa, (…), não é a história do EU que sobressai. Digamos que aquilo que ressalta de mais importante são os episódios de uma determinada época, num lugar exacto, com vários intervenientes de carne e osso.
Para situar o leitor e se situar ele próprio, o autor começa a narrativa de forma exemplar:
“…estão a completar-se 60 anos que, na companhia de meus Pais, andei pelas ruas a semear estrelas… as estrelas partiram para o lugar que era o seu, deixaram a terra e, na dança mais bela que as gentes olharam escreveram no Céu: Acabou a guerra!!!” (guerra de 1939/45).
(…)
Os espigueiros, esses, foram o pretexto para nos falar do tempo da guerra, da fome, do racionamento, dos compadrios, da repressão, também da solidariedade e da coragem s do comboio fantasma que transportava para fora o que para muitos faltava cá dentro.
Na escrita, o autor, intencionalmente, salienta mais as figuras modestas do que as altas personalidades.(…)
O pão, sempre o pão, abrindo também a porta à etnografia.
(…)
Mas volta, não volta, página que passa e o Pão sempre na estória.
Na masseira, a mulher de mangas arregaçadas, as mãos e os antebraços bem lavados com sabão azul e branco, punhos fechados como se quisesse agredir o mundo, dá,que dá, na massa que irá levedar.
E o livro vai-nos falando da levedura caseira- o fermento – da mistura das farinhas, da água quente e do sal que baste…
(…)
São verdadeiras informações etnográficas, óptimos pontos de partida para estudos académicos.
Glória Maria Marreiros
Outros
Badanas
Biografia do autor.
Excertos
1
Os espigueiros, canastros ou caniços, assim chamados, dependendo da sua implantação geográfica, (na Galiza são denominados hórreos) sempre foram, desde que me lembro de ter memória, motivo de encantamento.
Quando era criança, olhava com algum receio aquelas construções isoladas e silenciosas impregnadas de mistério, escondendo no seu interior “grandes segredos”… era assim que eu pensava.
(…)
2
Todos os dias, depois da saída da escola, (ala que se faz tarde), fosse no pino do Verão, e aí então é que era!…, com os dias sem fim, ou na “tristeza” do Outono ou do Inverno, depois da mãe obrigar a engolir, à pressa, a parca merenda, um PÃO de TRIGO e cevada ou café, quando o havia. Era só agarrar na lata do leite e largar em correria a caminho da “Quinta”.
9
Afinal, não era nada disto que eu pensava escrever. Era simplesmente sobre os caniços, canastros ou espigueiros, depois principiei a divagar, os espigueiros arrastaram para a memória as lembranças do Pão, e como já vivi bastantes anos, o Pão, traz-me à mente mil e uma estórias, que vou desfiando, tristes umas, alegres outras. Assim, vou escrevendo ao sabor das recordações, e depois logo se verá o resultado que daqui vai sair.
Estórias tristes, são todas aquelas que têm relação com os anos de miséria e de extrema carência de Pão. Alegres, as que fazem recordar gente bonita, pessoas generosas, que não tenho pejo em misturar com sabores e aromas, porque dessa amálgama saiu o fermento que levedou em mim e muito contribuiu para formar aquilo que hoje sou e sinto.
(…)
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