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Memória da Água

Num conjunto de quarenta e sete poemas se espelha um sentimento/consciência MAIOR da vida com a exaltação da Natureza e da sua perenidade e a nostalgia do momento vivido e sorvido que no Homem passa, que nascendo vive morrendo a cada instante, sem escolha. O Homem retrata-se como espectador da VIDA.

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Conheça o autor

"Fernando Castro e Sousa nasceu a 19 de Julho de 1941, num dos mais típicos recantos de Lisboa, o Bairro Alto.Viviam-se na capital os constrangimentos da ditadura salazarista.Descedente de uma família de gráficos, pelo lado paterno, isso viria a marcar vincadamente o seu percurso.Iniciou escolaridade na Vila de Ponte do Lima. A sua meninice decorreu num clima pautado pelos princípios da liberdade e do humanismo, por que toda a vida de seu pai se orientou. Quando concluiu a quarta classe, não existia nenhum patamar de ensino mais elevado em Ponte de Lima e a debilidade económica dos pais impediu-o de prosseguir a instrução em Viana do Castelo.Conheceu então os primórdios da arte de Gutenberg,na tipografia Augusto de Sousa, onde começou a trabalhar aos doze anos de idade.Logo que se tornou possível foi trabalhar para um escritório de solicitador e advogado, onde aprendeu a escrever à máquina e aperfeiçou o desenvolvimento da escrita.Adquiriu o gosto pela leitura e teve sempre acesso aos mesmos através da biblioteca familiar. Mais tarde matriculou-se na Escola Comercial e Industrial e fixou-se em Viana. Em 1960 publicou o primeiro poema n'Aurora do Lima. Em conjunto com um grupo de conterrâneos cria o Clube Académico de Viana, alimentando intenções de valorização cultural, de convívio e de diversão. Em Agosto de 1962 é chamado ao cumprimento do serviço militar em Vendas Novas, pelo que interrompe o Curso Geral de Comércio.Ainda no primeiro ano de tropa é mobilizado a participar na guerra colonial de Angola.Aqui conviveu com as misérias da guerra e a pobreza da população nativa. Retomou vários vezes os estudos, atingindo a sua conclusão no ano de 1967. Vivenciou de perto a chegada do 25 de Abril de 1974. Colaborou com a "Aurora do Lima", o "Cardeal Saraiva" e o "Praça da República". Mais tarde, colaborou com o "Vianense"; "Falcão do Minho";"Notícias de Viana"; Foz do Lima";"Arrifana";"Meia Libra";"Anunciador das Feiras Novas"; "Cadernos Vianenses" e inúmeras revistas de Associações, Clubes e do Banco Português do Atlântico/Millennium/BCP. Regressa à Escola Comercial,já Secundária de Monserrate para obter o 12ºano de escolaridade. Em 1987,lança o concurso de quadras populares das festas da Senhora d'Agonia, que prossegue acarinhando.Em 1985 publica "Enquanto Respiro". Em 1988 publica "Memória de Água"."
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Contra capa

“MEMÓRIA DE ÁGUA”(1988) Feitos de água pura da palavra exacta, medida, sóbria, estes poemas são todos equivalentes na sinfonia e todos diferentes na preocupada dor e alegria que transmitem. são feitos de vida, de respiração ofegante, mas de preciosa calma e certeza. Cda verso foi trabalhado, ajustado, encastrado, com a mesma precisão, com o mesmo amor artesão, com a mesma qualidade de pormenor. É um livro que dá cor aos sentimentos, aos projectos, aos instantes. Fernando Morais Eis agora Fernando Castro e Sousa, com “Memória da Água”, a demonstrar o espírito profético, o poder de dizer io indizível, de antecipar o futuro, de legendar o passado e abarcar, com originalidade simples e fácil dos reais poetas, o panorama do mundo e o arrojo insofrido e insaciável do Homem, navegador de todos os mares e argonauta de todos os espaços.Desta vez o verso é mais denso, rico de significado, parco de palavras e sons, resumido mas sumarento, transparente como água cristalina, ágil como gaivota roçando as naus. EUCLIDES RIOS

Excertos

HERANÇA

Olhar a enseada
– secretamente a enseada.
Fruir a aragem
– a plenitude da aragem.
Içar as velas
-nas cordas dos sentidos.
Tomar o bordo
– do lugre escolhido
a encetar a viagem,
por onde o curso ignoto
das marés,
o rumo impreciso…
…impreciso.

OCEANO

Porque criaste
assim
o oceano:
arrogante,
voraz
e frio

-e não lhe deste
a placidez cândida
do rio,

das noites
desfolhadas
ao luar,

com espigas vermelhas,
se calhar?

PROCURA

Procuro
o rumo estético
da paisagem,
o cheiro
da resina
a inundar
o monte,

procuro
a moldura certa
para a imagem,
do pôr do sol
cingindo
o horizonte,

procuro
uma galera
para a abordagem,
da intimidade
virgem da cidade

procuro
as superfícies
líquidas
que reflectem
espaços
de harmonia
e claridade.

NO TEMPO DAS PLANTAS SILVESTRES

Nu,

caminho
ao teu encontro,

como no tempo
das plantas silvestres,

quando a urze
crescia livremente
nos montados

e o néctar
das sombras
e dos frutos,

empapava
os fins de tarde
de Setembro.

Nu,

caminho
ao teu encontro,

como no tempo
das plantas silvestres,

pelo aroma
inconfundível
das amoras.

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