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Subsídios para o Estudo da Economia e Sociedade de Ponte de Lima na Época de Quinhentos (Separata)

Com base no estudo do “Livro de Sisas de Ponte de Lima”, 1531-1532, e outros documentos já conhecidos, aborda a evolução urbana de Ponte de Lima, as actividades económicas e a fiscalidade numa época de transição e de mudança, a época quinhentista.

Esta análise aparece enquadrada na situação nacional e regional, tanto no plano político, como no económico, como no religioso.

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Conheça o autor

"Natural da Póvoa de Varzim, reside na freguesia de Vila Mou, Viana do Castelo, desde 1968. Sacerdote católico, ordenado em 1965, na Sé de Braga, é pároco das freguesias de Vila Mou e de S. Salvador da Torre. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Foi professor de História do Ensino Secundário e da Universidade Católica, encontrando-se aposentado. A última escola em que leccionou foi a Escola EB 2,3 / S de Lanheses. É autor de numerosas obras de investigação histórica sobre Viana do Castelo e o Alto-Minho. Foi agraciado como "Cidadão de Mérito" pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, em 1999."
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0871-3332

Excertos

“Uma nova conjuntura, resultante dos Descobrimentos e do incremento do comércio marítimo, longe da esfera do monopólio régio, no Atlântico norte, influenciam o nível de vida de Ponte de Lima e criam um novo urbanismo. Trata-se de um fenómeno característico dos portos da Província e das povoações do Litoral que, na mira de maiores lucros, investem capitais e técnicas capitalistas.
Vista ao largo, da margem direita do Lima, Ponte de Lima reafirma-se pelo seu ar de burgo medieval vetusto e repousado, encostado à velha muralha fernandina. Várias torres, panos de pedraria e portas seguras, coroadas de ameias e merlões, chamam a atenção. A ligar as duas margens surge a ponte medieva, bem defendida. O lanço norte, entre a Igreja de Santo António e as primeiras casas de Arcozelo é mesmo de cariz romano. Os telhados geométricos, cubistas, desnivelados em cascata, transmitem ao viajante um movimento misterioso e inquietante. Faz pensar numa cidade medieval e histórica. (…)
Dentro da Vila, a estrutura urbanística assenta no cruzamento de dois grandes eixos. O primeiro, Mais extenso, paralelo ao leito do rio, atravessa a povoação no sentido nascente-poente, da porta de S. João à do Souto; o segundo, de menor extensão, no sentido norte-sul, liga a porta Nova à sua congénere de Braga. Sobre estas duas vias assenta a rede urbanística da Vila pontelimiana. Sobressaem no sentido transversal ao eixo principal as ruas da Ponte, Ribeira, Nova, Travessa do Castelo. Paralelamente ao eixo Souto-S. João, foram abertas outras ruas compridas que representam outras tantas tentativas para ocupar os espaços vazios intra-muros, sobretudo, o rossio de Pereiras, outeiro de Selas. São as ruas da Triparia, Açougues e Brancaria. Mais a Nascente ficam as ruas das Pereiras e Pinheiro. No centro, dominando o espaço medievo, situa-se a Igreja Matriz e a Praça envolvente. À sua volta o sagrado e o profano dão as mãos unificantes. Nesta altura cerca de um terço do espaço situado dentro das muralhas era ocupado por hortas e pequenas vielas.
Em 1530 nota-se a construção de várias infra-estruturas que não existiam no período anterior. Trata-se do edifício do Castelo, que, com a moradia do alcaide, ocupava o canto SW da Vila. Penso que eram edificações de grandes proporções. Mais a norte, na praça principal, a velha Igreja medieva foi substituída pelo edifício actual, amplo e construído em novos e actualizados moldes artísticos; entre a rua da Ribeira e a porta Nova aparecem erguidos os edifícios centrais da Misericórdia, cobrindo a rua da Fraria; na zona do NW verificaram-se, entretanto, as seguintes modificações fisionómicas: a rua da Judiaria desapareceu debaixo do camartelo da perseguição aos judeus na última década de quatrocentos, dando rigem à rua Nova; pela mesma altura, foi aberta nas muralhas a porta Nova; no início de seiscentos, com a contribuição dos concelhos vizinhos, foi erguido o edifício da Cadeia, que ainda hoje persiste. Mas a maior inovação diz respeito ao aparecimento de três arrabaldes. A Vila medieva, a partir de finais de quatrocentos, apresta-se a transpôr os muros na busca de melhores espaços comerciais e mesteirais, trocando o ar pestilento e fétido das apertadas e escuras vias medievais pelo espaço aberto eivado de liberdade e saúde. Ferreiros, almocreves, serralheiros, ferradores, forneiros, sapateiros e estalajadeiros acorrem aos arrabaldes para melhor servir o viajante e peregrino, que chega, a toda a hora, requerendo os seus serviços. Os medos, ameaças de bandos armados e presença de animais ferozes diminuem em todo o séc. XVI, tornando as noites mais amenas e tranquilas.” (pág. 9 a 11)

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