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Um Fio de Música

Não se sabendo se é o som da água que evoca a música, se é esta que acorda aquela, nesta obra assistimos a um encontro, quase original, entre as águas (do mar, da chuva, da fonte, do pântano, do rio) e os vários andamentos musicais ( alegro vivace, adágio cantabile, pizzicato, retornello,…)…

… como se o fio de música fosse um fio de água, como se a água se transformasse em música, como se o inefável se materializasse, como se a matéria se evolasse.

E os vários estados de espírito do poeta vão sendo dedilhados, num intimismo ora lúgubre, ora terno, ora sarcástico…

Um Túmulo para Nicodemo

Os excertos que se seguem são pequenas frases que o autor coloca, em guisa de resumo, no início de cada capítulo, e nos permitem ter uma visão geral da narrativa.

1. Em que Óscar Scott viaja de camioneta e conhece os “Três Porquinhos”.

2. Em que Scott retoma hábitos antigos e o Juiz enuncia um outro personagem universalmente conhecido.

3. Em que a perversidade humana é tema de conversa e a morte violenta é encarada sob um perspectiva surpreendentemente benigna.

4. Em que a curiosidade leva Scott a empreender uma missão de espionagem e faz cruzar com padre predisposto a perdoar um pecado mortal.

5. Em que o “Convento” se revela um lugar pouco propício à ascese ou a pacíficos pensamentos.

6. Em que o Juiz procura um pulverizador; Oscar Scott entra na toca do lobo e Patrícia recebe um telegrama.

7. Em que as notícias circulam, o padre Nestor se faz convidado e o dia não acaba bem.

8. Em que o túmulo de Nicodemo Frade desperta mórbida curiosidade e o juiz toma, momentaneamente, o comando das operações.

9. Em que se verifica que a morte suscita benevolência e o Juiz, depois de uma furtiva exploração, recebe uma visita.

10. Em que o poço do “Convento” é novamente centro das atenções e o Juiz continua a adoptar um estranho comportamento.

11. Em que toda a gente tem uma história para contar; o Delegado se considera satisfeito com as declarações; e o Juiz não tanto como ele.

12. Em que, apesar da lei se desinteressar do caso, o Juiz se debate com um problema de consciência que o obriga a fazer uma investigação por conta própria.

13. Em que o Juiz continua a mostrar-se curioso e nem tudo é o que parece ser.

14. Em que Scott desiste do benefício da ociosidade; em que o Juiz faz uma operação aritmética, comete um erro por causa dela e resolve fazer um convite para jantar.

15. Em que a varanda do Juiz é palco de uma longa conversa e o Padre Nestor faz uma confissão.

16. Em que se pretende dizer a verdade, só a verdade e nada mais que a verdade. Em que o pano desce com dificuldade manifesta e Scoot considera algumas interrogações que julga conveniente não divulgar.

Vale do Neiva – Elementos Demográficos e Alfabetização no Século XIX

A brochura, com quase duas dezenas de páginas, é fruto de um trabalho inicial publicado no “Boletim das Festas de Alvarães”, contendo o estudo levado a cabo por Henrique Fernandes Rodrigues, acerca de aspectos demográficos e de alfabetização na região do Vale do Neiva (Alvarães, Forjães, Fragoso, Castelo de Neiva, São Romão de Neiva, Anha, Barroselas – a antiga freguesia de Capareiros -, Vila de Punhe e Vila Fria), reportando-se aos vários censos efectuados à populacão desde a década de oitenta do século XIX, até aos anos sessenta da centúria de vinte.
Sobre a “leitura e alfabetização”, segundo item desenvolvido, o autor, baseando-se no censo populacional de 1878, divulga o perfil da população que apelida de “alfabetizada” nos nove concelhos que englobam o estudo.
Segue-se a “Distribuição da população por lugares de Alvarães em 1911”. Aqui e seguindo a fonte de pesquisa já referenciada, é-nos dada uma imagem visual (figura) do número de habitantes de cada lugar da freguesia(Igreja, Barge, Calvário, Chasqueira, Costeira, Mariçô, Paço, Padrão, Paúso, Sardal, Sião, Souto Monte, Viso e Xisto), assim como do número de fogos, imagem esta que é lida gradativamente, desde o lugar mais povoado para o de menor população, inferindo-se, daí, a existência de dois grandes núcleos populacionais.
Em momento subsequente, são focados os alvaraanenses que rumaram para o Brasil entre 1861 e 1889. Mencionam-se as profissões que os mesmos exerciam na sua terra natal, os apelidos dos mesmos (os quais ainda actualmente permanecem nos seus descendentes) e os benefícios que trouxeram à localidade com o seu regresso, sobretudo as alterações operadas na paisagem habitacional.
Como conclusão aventam-se razões para justificar o facto de Alvarães não ter conseguido um estatuto de vila: menor demografia, motivada pela situação geográfica, pelas deficientes vias de comunicação, pelo menor número de emigrados para o Brasil e menor investimento na terra quando regressados. Salienta-se também o facto de ser uma aldeia que, no século XIX, apresentava um número elevado de alfabetizados e sugere-se o aproveitamento do potencial geográfico, etnográfico e artístico-cultural como fonte de desenvolvimento.
A publicação termina com quatro quadros, que serviram de base ao estudo apresentado, contendo cada um deles, respectivamente:
– Evolução demográfica da área geográfica à volta de Alvarães entre 1864 e 1960;
– Alfabetização da área geográfica de Alvarães em 1878 por sexo e por estado civil;
– População de Alvarães em 1911 por “lugares”;
– Emigrantes, por ordem alfabética, com passaporte obtido entre 1861-1889.

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