Viana do Castelo

Na Poética dos Lugares

Neste livro de poemas, ilustrado com belíssimas fotografias, ilustrativas de espaços que muito dizem aos vianenses, o autor partilha connosco as suas vivências desses mesmos espaços.

Tomando como ponto de partida Viana e os seus lugares, Na Poética dos Lugares leva o leitor a viajar, quer pelos seus arredores ( Ponte de Lima, Areosa, Carreço, Afife, Vila Praia de Âncora, Caminha) quer a deslocar-se até lugares mais distantes (Galiza, Porto Revisitado, Coimbra) quer a mergulhar na essência de ser português (Bandeira de Portugal, Clarabóias do meu País) ou na Imensidão Profunda do Mar.

Ora di djunta mon tchiga (é a hora de darmos as mãos)

É um livro a preto e branco, constituído por 33 poemas, escritos entre 2001 e 2005 em Cacheu, Bissau e Viana. É ilustrado por belíssimas fotografias que correspondem exactamente aos referentes dos textos.

São poemas motivados pela experiência e vivências guineenses do poeta.África, Guiné é assim pretexto para exprimir o que sabe e o que sente, como está bem patente no lindíssimo poema “” África preciso de ti”. Mas África é também pretexto para o poeta nos levar a seguir o percurso dos sentidos : a visão das paisagens paradisíacas; a beleza incontestável das mulheres de Cacheu; a húmida quentura do sol africano; a sonoridade do mar, dos insectos e das aves; os aromas, os cheiros de África. A natureza africana está erótica e sensualmente representada nos poemas ´Há tão lindas mulheres em Cacheu” e ” Na praia Varela”

Mas o poeta é suficientemente inquieto para se ficar só pela comtemplação da natureza e emerge, então, uma lírica em que é invadido pela dúvida, pela impotência e pela desesperança, como no poema” Despacienta-me intruso” ou num outro, talvez dos mais bem conseguidos ” É quase noite” em que há uma busca desesperada de sentidos, de razões que leva o poeta a questionar-se -“Que faço em África? Que construo? Construo?!

Mas estas dúvidas, esta impotência são, afinal, aparências falsas porque o grande fio condutor da quase totalidade destes poemas é, sem dúvida, a esperança.O poeta só se realizará neste mundo quando uma parcela de si, que é África, for feliz. E o poeta acredita na mudança.No poema “Mesmo quando o rio é imenso” todo o léxico é escolhido para exprimir a mensagem da esperança na mudança. A esperança “mesmo quando o rio é imenso”; mesmo quando a distância que nos separa de África é um oceano; mesmo quando os homens retardam as soluções que se impõem.

É preciso dizer que José Luís Carvalhido da Ponte é um homem de projectos-afectos em que a solidariedade é a letra de forma, Assim, a totalidade da receita da venda deste seu livro, lançado em Julho de 2006,reverteu a favor da Plataforma Guiné-Bissau , de que ele é o grande impulsionador, e que se encontra a angariar fundos para vários projectos na Guiné, entre eles a construção de uma pequena maternidade.

Do outro lado de mim e do meu também

Abordam-se neste livro várias temáticas que passam pelo Amor, Erotismo, Sensualidade, pelos lamentos nascidos do Ciúme, da Solidão e da Saudade provocada pela Ausência do Outro. É também recorrente a Fuga de Si / a Partida e a Procura do Outro para tornar possível a Descoberta do Eu. Prepassa também pelas páginas deste livro a ideia de uma certa fragmentação do eu poético que o conduz à sensação omnipresente de ficar aquém, de não alcançar a plenitude,de ficar num “quase”… Não faltam ainda as clássicas referências à Natureza, nomeadamente ao Mar e à passagem inexorável do tempo que remete para a morte física ou mesmo afectiva.

Palavras…

Livro de poesia escrito em co-autoria com Filipa Machado. Duas jovens que desenham no azul da folha branca, vivências de um real adolescente.Uma real-idade das angústias: O amor fugiu, existe apenas amargura no “eu”, Deus é uma abstração em que não se crê. Em quase todos os textos há um destinatário imediato.Um outro que quase sempre se cumpre na totalidade da face do amor. Toda esta itinerância amorosa dos verdes anos se inscreve na busca do “eu” Palavras… abre e fecha com Deus. Um Deus que se busca, se aguarda, se quer e por isso mesmo se nega. Palavras… Nenhum real acontece sem palavras. Sem palavras, nenhuma memória é possível. com palavras-memória se constrói palavras…

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