1993

Liberalismo e repressão miguelista no Vale do Lima

A obra coloca o leitor ante a descrição arrepiante das sevícias de que foram alvo os apoiantes do liberalismo, às mãos dos absolutistas.
Antes, porém, são mencionados os antecedentes históricos, políticos e sociais que foram o fermento da revolução liberal: as invasões francesas que, apesar da destruição da economia nacional e das exigências fiscais impostas pelos comandos bonapartistas, lançaram entre nós a semente do liberalismo; as ideias trazidas pelos maçons emigrados; a transformação da metrópole portuguesa em colónia do Brasil. Daí que, como manifestação do descontentamento nacional, surgisse a conspiração liderada por Gomes Freire de Andrade e a constituição do Sinédrio.
A regência de D. Miguel e as perseguições movidas aos que eram considerados simpatizantes do liberalismo ocupam também a atenção do autor que, centrando-se na região e Viana, relata as manobras de apoio quer a miguelistas quer a liberais. No entanto, tal parte parece servir de enquadramento ao relato das perseguições movidas ao liberalistas do Alto Minho, quanto a nós, a parte mais dramática de todo o estudo e também a mais extensa.
Henrique Rodrigues, a partir das pesquisas efectuadas, dá-nos igualmente conhecimento dos grupos sócio-profissionais mais penalizados pelas acções repressivas dos miguelistas, chegando à conclusão de que foram os funcionários administrativos o alvo privilegiado da ira absolutista, seguindo-se-lhes os comerciantes / negociantes e os lavradores. Entre os perseguidos contavam-se também, embora em menor número, alguns nobres e proprietários.
A parte final da separata dilata a visão anteiormente traçada sobre os defensores vianenses de D. Miguel e os de D. Pedro, apresentando a população da vila de Viana maioritariamente com atitudes de moderação, qualquer que fosse o lado para que tendia.

Emigração Clandestina de Portugueses para Espanha no Século XIX

A obra é uma separata do volume II, resultante das comunicações apresentadas na “Primeira Conferência Europeia da Comissão Internacional de Demografia Histórica”, realizada em Espanha, em 1993.
Baseada na pesquisa efectuada nos Livros de Recenseamento MIlitar, entre os anos de 1855 e 1865, a comunicação de que resultou a presente separata versou sobre a emigração clandestina de jovens portugueses do sexo masculino para Espanha, entre os anos anteriormente referenciados.
Seguindo um esquema que comportou os seguintes passos:
– As fontes;
– Ausências para Espanha;
– Distribuição por concelhos;
– Mobilidade geográfica;
– Grupos sócio-profissionais;
– Quadro familiar,
o autor põe-nos perante dados e situações que permitem compreender os fenómenos e as causas que estiveram por detrás da emigração clandestina dos jovens portugueses do sexo masculino para o país vizinho. Assim, são referidos aspectos como a profissão, a origem sócio-económica e o quadro familiar em que o jovem se encontra inserido.

Acompanham o estudo alguns quadros sobre
– o número de mancebos emigrantes em Espanha segundo od “Livros de Recenseamento Militar”;
– os concelhos que indicaram mancebos emigrados em Espanha entre 1856/1866;
– as actividades profissionais dos mancebos ausentes em Espanha;
– o estado civil dos emigrantes em Espanha, segundo os “Livros de Recenseamento Militar”;
– os emigrantes órfãos registados nos “Livros de Recenseamento Militar”;
bem como uma série de notas explicativas e dois gráficos, o primeiro dos quais com dados sobre o número de emigrantes saídos para espanha, segundo os referidos livros, entre 1856 e 1866; o segundo, baseado na mesma fonte, porém referenciando o número de emigrantesem cada concelho.

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