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S. Salvador da Torre na História da Ribeira Lima
Ao longo de nove capítulos, Carlindo Vieira (Carlos Miguel) apresenta a história da sua terra natal – São Salvador da Torre.
Após a localização e caracterização geográficas, passa às origens históricas, a partir de relatos de autores consagrados, como Frei Luís de Sousa, e de documentos oficiais.
Em “O Homem e a Terra”, são os habitantes, os seus trajes e trabalhos, as culturas, a fauna e a flora, que dão corpo à história desta terra. Seguem-se as tradições locais, designadas pelo autor como ” Costumeiras Locais”, e delas constam a matança do porco, o compasso pascal, o Natal, Janeiras e Reis, finalizando com as Cornetadas, isto é, as manifestações de desacordo.
A beleza natural deste recanto minhoto também não foi esquecida e, em “A Terra en o Turismo”, valorizando-se, sobretudo, o rio, as suas aprazíveis margens, as passagens de barco, a pesca…
Os “monumentos locais”, moinhos de vento e azenhas, alminhas e cruzeiros, integram o capítulo VI, intitulado “Aspectos do Passado”.
Em “Manifestações Religiosas” destaca-se a festa da Senhora do Corporal, no Domingo da Pascoela, também chamado Domingo das sete Senhora, por, neste dia, se celebrarem no Vale do Lima sete festas a outros tantos títulos de Nossa Senhora. Segue-se a referência ao Senhor de Fora, hoje já em desuso, que consistia na procissão do Sagrado Viático em visita aos enfermos da paróquia, acompanhado pela população.
Do capítulo dedicado às “Expressões Populares” conta a explicação da toponímia, um glossário de vocabulário local termos populares, uma lista de expressões populares e respetivo significado, orações e canções populares.
No último capítulo, “Estatística de Actividades” (Presente e Passado), é apresentada a relação dos “monumentos locais”, e das atividades existentes na freguesia, bem como dos párocos que aí exerceram o seu ofício, do século XVI à data da obra, terminando com um apêndice contendo três documentos em latim: Doação de Frei Ordonho para a fundação do Mosteiro de São Salvador da Torre (Anno 1068), Couto de São Salvador da Torre (anno 1130) e Couto de Outeiro (Anno 1176).
Sem as «Madeleines» de Proust
Após o belo prefácio de Alberto Abreu, os quarenta e sete poemas desta obra distribuem-se por três partes.
Os trinta poemas que constituem a primeira parte, intitulada “De perto e de Longe”, pode ser integrada na denominada literatura de viagens. Dela constam poemas inspirados em lugares/acontecimentos marcados pela proximidade geográfica (Lisboa ou Viana), mas também outros que remetem para exóticas e distantes paragens, Marrocos ou a Grécia, México ou a Patagónia, para apenas referir alguns exemplos.
A segunda parte, “Avena Rústica”, constituída por dez poemas, canta as origens rústicas do seu autor e é dedicada à região altominhota, aos seus patronos (“Nossa Senhora das Neves” ou “Promessa e Louvor”), aos usos e costumes desta região (“Vindimas da minha terra” e “Samiguel Minhoto”), às suas gentes (“O motard bacano”).
Nos sete poemas da terceira parte, “Personagens Típicas de Vila de Punhe”, o autor presta tributo a personagens, suas conterrâneas, que se destacaram pelas mais diversas atividades – música, poesia, mendicidade, venda ambulante…
Silêncios de Cristal
APRESENTAÇÃO GLOBAL
A obra é iniciada com duas dedicatórias, uma ao marido e filha da autora, outra a toda a família e amigos, com menção especial aos pais e irmãs.
Segue-se um prefácio, da autoria da poetisa vianense Virgínia Manuela Ramos. Segundo esta poetisa, Silêncios de Cristal comporta um conjunto de poemas em que a palavra provém da mais pura inspiração, inspiração esta movida pela força do Amor e das experiências de vida.
O corpo da obra propriamente dito engloba quarenta e sete textos poéticos em verso, separados por sete pensamentos, alguns da autoria de Paula Rolo e outros de Nikos Kazantzatis, Gottfried Berron e Hsi K’ang.
Antes do epílogo, em prosa, da autoria de Paula Rolo, surgem as duas primeiras quadras do soneto de Florbela Espanca “Até agora eu não me conhecia”.
Ilustram a obra cinco desenhos da autoria de Susana Rolo, irmã da autora.
LINHAS TEMÁTICAS
Perpassam Silêncios de Cristal essencialmente duas linhas temáticas que, por vezes, se entrecruzam:
§ A Busca/A Procura de algo
§ O Amor
A Busca/A Procura de algo
Logo no poema de abertura, e depois disseminados ao longo da obra, o leitor depara-se com a busca da essência das palavras que se encontra no local mais profundo da criação poética. É só descendo até esse local, onde, entre o silêncio, se encontra a palavra certa, que a poetisa é capaz de exprimir o seu pensamento, o seu eu (poemas “Silêncio”, “Antítese”, “Escrevendo”, “Dizer o indizível”).
Ao longo da obra, esta busca inicial expande-se e passa a englobar o próprio eu (“Majestosa”, “Um vazio”, “Reconheci-me” “Onde estou”, “Desilusão”, “Constante procura”) e as contradições nele existentes (“Contradições”), a vida e a razão de viver (“Sentido para existir”, “Minha vida”, “Desespero”, “Cíclico”), a verdade/realidade (“Medo”). Caminhando em direcção à totalidade, surge-nos a procura/busca do amor puro e verdadeiro, que a autora espera encontrar algures (“Chorando”, “Para onde vais coração”, “Meu Sol”, “Horizontes”, “Espero por ti”), da plenitude, do infinito, do inalcançável (“Sonho”, “Selvagem, domesticado” “Eternidade”, “Uma ponte”, “Coração aberto”) da compreensão (“Um olhar”), das origens do universo, da vida, dos sentimentos que avassalam o ser (“Segredo”), do destino e da finalidade da vida (“Destino”, “Aurora”), de um lugar – o lugar ideal, o único onde a plenitude se concretizará (“Um lugar”).
Por vezes, esse desejo de busca e de atingir a plenitude surge entrecortado por momentos de medo, de pessimismo, de desilusão (“Incertezas”), logo anulados pela presença da esperança em algo melhor, trazido por um futuro ainda incógnito (“Esperança”, “Anjo da Guarda”) ou por outros em que a capacidade da poetisa para vencer todas as adversidades parece dominar (“Fogo”).
Se ao longo de Silêncios de Cristal Paula Rolo, na sua busca, vagueia por múltiplos espaços, desde o espaço sideral infinito até outro também infinito e que se encontra no cerne do seu ser, termina desistindo de procurar tudo aquilo por que luta: a palavra, a vida, o amor… A poetisa sente-se abandonada, só, sem destino, sem algo que a mova a continuar (“Sem Sul, sem Norte”).
O Amor
A linha temática do amor, que se entrecruza com a precedente e como que a tempera, engloba poemas dedicados à filha e à mãe (“Minha filha…” “Mãos perfeitas”), ao valor da amizade e do amor (“Um abraço”), à força protectora e redentora do amor (“Verbo amar”, “Alma Gémea”). Ainda nesta linha temática se pode enquadrar um poema que surge dedicado à época do ano em que os mais belos sentimentos predominam: o Natal (“Natal!”)
A escrita como espelho do sujeito poético
Há ainda outros textos poéticos em que a escrita nos aparece como o espelho do eu (“Sou eu”) ou como identificação com o momento que se vive (“Um momento”).
Simplesmente Contradito R
Livro singelo composto por textos em prosa e textos em verso , o que explica a designação de ” proesia ” patente na sua capa.
Muitos destes textos são actos de solidariedade para com variadas causas sociais e para com os homens que sofrem de injustiças e infelicidades. As palavras servem-lhe menos de decoração e mais de armas de luta. E é nisto que reside a sua singularidade – uma obra que revela uma profunda sensibilidade perante o sofrimento de outrem.