Viana do Castelo

A…B…C… do Sonho

O livro integra 33 textos e outras tantas ilustrações de jovens alunos (Ana Rita Lopes,André Magalhães, Carolina Maciel, Carolina Viana, Catarina Oliveira, Catarina Santos, Diogo Torre, Fábio Amorim Varajão, Helena Trabulo, Inês Alves, Inês Romana, Joana Vaz, João Josém da Costa Tavares, João Miguel Brazete, João Moranguinho, Jorge Miguel Rodrigues, Katarina Magalhães, Liliana Soares, Luis Guilherme Martins, Manuel Martins, Miguel Santos, Natanael Azevedo, Renato Viana, Ricardo Bastos, Rik Rodrigues, Rita Resende, Rui Filipe Lima, Sara Cruz Costa, Sara Moreira da Costa, Tomás Costa, Tomás Quintas neves, Vitória Pereira Branco)

Acrósticos na Noite

A poetisa dos Acrósticos na noite balança, de forma epigraficamente concisa, pela arte do acróstico, entre um mundo disfórico – metaforizado no próprio título – que se desenha no campo semântico da morte, do desalento, da solidão, da saudade e um outro plano, de plena euforia, que se concretiza na abordagem de núcleos temáticos como o amor/paixão, a literatura (especialmente a palavra poética), a infância, a viagem. Paira sempre, qual tríade de agoirentas Parcas, a força imponente do Destino que conduz inelutavelmente ao Fim (Finalmente a noite chegou / Imperiosa e triste como só a / Morte sabe ser).

Aragem e Tempestade

Comentário de Fina d’Armada

Laureano C. Santos apresenta-nos mais uma obra de produção poética. Mas não se limita a ser mais um livro. “Aragem e Tempestade” é um trabalho de alguém mais amadurecido, com palavras melhor escolhidas, com mensagens que nunca são vagas, com pensamentos transformados em poemas visuais.

Ainda ressaltam as preocupações com o mundo, mas sobressaem os poemas de índole existencial. A morte surge agora como mais uma limitação à liberdade humana, liberdade na qual e para a qual vive o poeta.

Tal como a vida e o mundo, este livro parece uma caminhada que vem de trás e continua para um horizonte sem limites conhecidos. O poeta não é apenas uma molécula do mundo mas da própria vida. Sempre inquieto, busca sempre palavras e sentidos, razões e causas que justifiquem a existência.

Burguês Anti-Burguês

(…) Burguês Anti-Burguês denuncia os interesses criados e instalados que abafam e apagam na consciência a realização íntima e profunda do eu, da vida e até do amor. Impedindo a auto-realização, fazem do homem uma máscara de futilidade e ilusão caindo-se no inautêntico e no fora de si, na exterioridade do mim. Surge aqui a linha mestra de quase toda a obra, a luta entre o espírito e a matéria. (…)

A vida, e por consequência a obra, é uma superação. Poesia do frágil derruir de tudo, do declínio da ilusão “Cumpre o teu dever que é envelhecer” e de algum desprendimento em que o tempo surge como crepúsculo total na sua fugacidade que apaga e destrói o efémero e o sonho, igualando os humanos na morte. A morte como o grande horizonte ou aurora da vida é também um tema central na obra de Geraldo Aresta.(…)

Mas, se a presente obra brota da intimidade, é de nóms que ela se ocupa e, por isso, nos abala. Porque nos arranca a máscara e vai directa às nossas fraquezas. (…)

in Prefácio de “Burgês Anti-Burguês”
( excertos)

Criança é Rima de Esperança

O Poeta, tomando como ponto de partida fotografias de crianças denuncia, de forma flagrantemente maniqueísta, a oposição entre a pureza original desta e a sordidez de um mundo maléfico que busca destruí-la (v. páginas 17 e 21).

Surge, no entanto, aqui e além, a luz da esperança plasmada num sorriso infantil (v. página 22) ou na paz que só a criança poderá trazer ao mundo (v. página 52).

É a visão de um mundo cruel que faz nascer uma entusiasta exortação, através da palavra poética, ao espírito de solidariedade humana como tentativa de fuga a um duro cinismo perante a realidade (v. páginas 31 e 33).

Preenche-se, assim, este livro da genuína vontade de instituir um novo mundo onde os valores de paz, justiça e prosperidade sejam vividos com verdade.

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