1987

Aragem e Tempestade

Comentário de Fina d’Armada

Laureano C. Santos apresenta-nos mais uma obra de produção poética. Mas não se limita a ser mais um livro. “Aragem e Tempestade” é um trabalho de alguém mais amadurecido, com palavras melhor escolhidas, com mensagens que nunca são vagas, com pensamentos transformados em poemas visuais.

Ainda ressaltam as preocupações com o mundo, mas sobressaem os poemas de índole existencial. A morte surge agora como mais uma limitação à liberdade humana, liberdade na qual e para a qual vive o poeta.

Tal como a vida e o mundo, este livro parece uma caminhada que vem de trás e continua para um horizonte sem limites conhecidos. O poeta não é apenas uma molécula do mundo mas da própria vida. Sempre inquieto, busca sempre palavras e sentidos, razões e causas que justifiquem a existência.

Um Fio de Música

Não se sabendo se é o som da água que evoca a música, se é esta que acorda aquela, nesta obra assistimos a um encontro, quase original, entre as águas (do mar, da chuva, da fonte, do pântano, do rio) e os vários andamentos musicais ( alegro vivace, adágio cantabile, pizzicato, retornello,…)…

… como se o fio de música fosse um fio de água, como se a água se transformasse em música, como se o inefável se materializasse, como se a matéria se evolasse.

E os vários estados de espírito do poeta vão sendo dedilhados, num intimismo ora lúgubre, ora terno, ora sarcástico…

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