2003

Burguês Anti-Burguês

(…) Burguês Anti-Burguês denuncia os interesses criados e instalados que abafam e apagam na consciência a realização íntima e profunda do eu, da vida e até do amor. Impedindo a auto-realização, fazem do homem uma máscara de futilidade e ilusão caindo-se no inautêntico e no fora de si, na exterioridade do mim. Surge aqui a linha mestra de quase toda a obra, a luta entre o espírito e a matéria. (…)

A vida, e por consequência a obra, é uma superação. Poesia do frágil derruir de tudo, do declínio da ilusão “Cumpre o teu dever que é envelhecer” e de algum desprendimento em que o tempo surge como crepúsculo total na sua fugacidade que apaga e destrói o efémero e o sonho, igualando os humanos na morte. A morte como o grande horizonte ou aurora da vida é também um tema central na obra de Geraldo Aresta.(…)

Mas, se a presente obra brota da intimidade, é de nóms que ela se ocupa e, por isso, nos abala. Porque nos arranca a máscara e vai directa às nossas fraquezas. (…)

in Prefácio de “Burgês Anti-Burguês”
( excertos)

Ermida

A personagem principal desta narrativa – Edmundo – convida-nos a percorrer os caminhos sinuosos do real e do imaginário em busca de uma verdade superior. Nesta viagem ao mundo interior, esta personagem, insatisfeita por natureza, confia-nos algumas das suas inquietações filosóficas e põe a nu as incongruências da sociedade em que vive, desde a justiça à política. Como todo o ser humano, revela-se ele próprio como um homem de paixões, desejos e sonhos.

Espelho Quebrado

O eu poético de Espelho Quebrado realiza a busca obsessiva um tu, a perseguição frenética de uma relação amorosa eu – tu, onde soam nitidamente notas de mágoa, saudade, sedução, erotismo, angústia, desespero e solidão. Está sempre bem plasmada a referência à ausência não só do tu mas também do eu, na medida em que este se refere à queda num niilismo existencial sem qualquer possibilidade de salvação.

A omnipresença da natureza e a passagem inexorável do tempo são também leitmotive de uma poética que é o espelho da opção por uma vivência e o desejo agudo de ter enveredado por outra (vide poema 40).

O Artesanato do Alto Minho

É, em nosso entender, um excelente guia pelos percursos dos afectos que “a magia das mãos” vai tecendo por todo o Alto-Minho.

Percorrê-lo é re-visitar as memórias dos artesãos: dos oleiros; dos pintores de cerâmica; dos funileiros; das muitas bordadeiras e das inúmeras tecelãs; das artistas de festa e dos seus lindos palmitos e ramos de noiva; dos pintores de azulejo; dos artesãos de cerâmica e dos de artefactos de metal como caravelas, potes e caldeirões.

São estórias da nossa gente. São percursos dos nossos afagos…

… que necessitam de ajustes … e o autor sugere, caso a caso, o que julga mais pertinente.

O livro termina com a apresentação do Decreto-Lei 110/2002 de 16 de Abril, diploma que faz o enquadramento legal do Estatuto do Artesão e da Unidade Produtiva artesanal.

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