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Pelo Mundo em Pedaços sem Partido

Escrever é criar circunstâncias e memorializar viagens.

De Viagens nos fala este livro de Amadeu Torres. São 78 sonetos e quatro momentos.

Num primeiro momento, aparecem textos escritos entre 94 e 2001 e que reflectem viagens por Portugal, pela Rússia, pela Alemanha, pela Áustria, pela Inglaterra, pela França, pelo México, pelo Chile, pela Argentina, pelos EUA… São pedaços de si, a esmo espalhados pelo mundo de onde nos traz o Taj Mahal, as bétulas de IASNAIA POLIANA, os castelos do Reno, o Krupp do aço, o Hitler e o Duce, Shakespeare, Walter Scott, William Wallace, a Magna Carta, Bonaparte e S. Guirec, Chartres, Cracóvia e Damião de Góis, Garcilaso de La Veja, o trem de Machu Picchu, etc.

No 2º momento, de 97 a 2000, lembra-nos, à distância de 60 anos, a Carta de Atenas; fala-nos de Quioto, de Teixeira de Pascoais, de cantores e romancistas, de sinestesias e de presépios, do KGB e dos progromes da fome; lembra O JUSTO e o Sousa Mendes, o Ieltsin e Púchkin; recorda os castanheiros e as cerejeiras dos avós, o António Aleixo, o António Nobre e AS MENINAS, do Museu do Prado.

A terceira parte são textos essencialmente políticos e de intervenção: A REVOLUÇÃO FRANCESA, A Justiça e a Cega Balança, o dia da árvore, o trabalho infantil, os “bandos de selvagens”, a liberdade de Abril, o Zé Povinho e os que o exploram, o “lobby gay”, Camarate, os talibãs, etc.

Finalmente, no último grupo de textos – Políptico Poetogastronómico – dedicados a Francisco Sampaio e Nuno Lima de Carvalho, encontramos 6 sonetos onde nos faz salivar com o Ensopado, a lampreiada, o Cabrito Montês, a Sopa Seca, o Arroz de Sarrabulho e Melgaço à João Penha.

Pelo Coração das Coisas

A poesia de”Pelo Coração das Coisas” faz-se com a busca das palavras imprescindíveis, das palavras com pulsações próprias (em rumores de “sangue” e de “fogo”), “que a prumo adormecem/ pela comoção da luz verde e exacta/ como chama que se ateia na súbita aparição do verso”. E é com elas, na raíz da voz, que Fátima Meireles parte para uma nova caminhada poética como uma criança descalça. A sua poesia aborda a “infância”, o “amor”, a “vida”, a “solidão”, a “primavera”, a “noite”, a “paisagem” de “rios” e de “peixes”, de “margens” e de “árvores”, de “cordas” e de “barcos”, as coisas concretas e abstractas, o real e o irreal, mas é o tempo que se afirma e destaca no seu universo temático, “o tempo e a dança/ pelo outro tempo da émória.” São os retratos que emergem das sombras para remexer com a vida, com os sonhos, com as emoções, na claridade esplendorosa da poesia nostálgica, dos versos da dor ou da alegria, na evocação lírica dos “homens” que “esmagam as uvas no lagar”, das mulheres que “bordam em toalhas de linho/ delicadas flores”, das “crianças” que “adormecem dentro dos seus olhos”, da “casa cheia de candeias/ luz onde me abandono À saudade/ e o moinho onde a água caía como rosas”. Um mundo de lembranças e de afectos, um tempo revivido: “Era a idade em que ia passear contigo pelos campos/ (eu corria à tua frente)/ enquanto me falavas das árvores que plantavas e vias crescer/ e das rosas cor de sangue que a mãe tinha no jardim/ eu voava sobre a terra a ouvir-te ao cimo da êxtase/ a bboina à feição do teu rosto enfeitado de rugas)/ e os teus olhos submersos no próprio ar que respiravas/ tu ardias de amor pelas coisas/ ao princípio da noite vinhas sentar-te comigo a contar as estrelas”. O que se perscruta e se sente nestes versos é o encanto de uma ternura luminosa e sublime, o som e o silêncio do fazer poético. Assim vibram outros textos, dedicados a gente da arte e da literatura, desde Cesariny,”poeta/sol que arde e não se extingue/ e pelo enigma da vida olhas a pomba de cal”, a Eugénio de Andrade: “Deixa-te estar assim/ junto à janela/ esquecido a olhar os cedros entre a chuva”. Ou a Picasso: “Há seios verdes no arco de um corpo/ sobre um espelho quebrado”.

Luís Dantas

Palavras…

Livro de poesia escrito em co-autoria com Filipa Machado. Duas jovens que desenham no azul da folha branca, vivências de um real adolescente.Uma real-idade das angústias: O amor fugiu, existe apenas amargura no “eu”, Deus é uma abstração em que não se crê. Em quase todos os textos há um destinatário imediato.Um outro que quase sempre se cumpre na totalidade da face do amor. Toda esta itinerância amorosa dos verdes anos se inscreve na busca do “eu” Palavras… abre e fecha com Deus. Um Deus que se busca, se aguarda, se quer e por isso mesmo se nega. Palavras… Nenhum real acontece sem palavras. Sem palavras, nenhuma memória é possível. com palavras-memória se constrói palavras…

Paisanas (Canções do Meu Amado País)

APRESENTAÇÃO GERAL

O corpo da obra Paisanas (Canções do Meu Amado País) apresenta-se dividido em quatro partes temáticas:
Cidade e Termo – Viana; A Lenda do Rio Lima; Tricana; A Chinela; Enquanto é Tempo; Ou Sim…; Ó Tempora; Sobre a Areia; A Canção da Brigada do Minho
Murmúrios do Lima – Maria Luisa; Contemplação; Apartamento
De Boca para Fora – Lugar Comum; Soltos; Dia d’Anos; Concisa; Carta de Férias; Papelucho que Oiro Vale; Trocadilho; Verdade Velha; Timidez; O Laço; Ao Passar; Pontuação a Tempo; Trovas a uma Morena
Brisas do Mar – Dor de Cotovelo; O Leque de Baile; A Última Trova
Segue-se uma tradução para alemão do poema «Apartamento», sob o título «Trennung» por Willy Maass.

Fecha-se esta edição com uma secção intitulada Dos Jornais, na qual foram compilados vários comentários críticos sobre a obra, publicados em vários jornais no ano 1922.

LINHAS TEMÁTICAS

Em versos cheios de melodia que «…se lêem com agrado, pela simplicidade que deles dimana como a água cristalina de uma fonte…», Sardinha canta a graça e a gentil beleza da mulher do povo, da tricana vianesa (Tricana, A Chinela, Ó Tempora), cuja maneira típica de vestir, com o seu chaile e chinela de verniz – ilustrada na capa do livro – há muito se perdeu .

O tom irónico e leve com que retrata e critica aspectos da vida citadina, alia-se a descrições da terra e do seu povo «…fazendo em ligeiras líricas, verdadeiros quadros de mestre aguarelista…».

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