Poesia

Paisanas (Canções do Meu Amado País)

APRESENTAÇÃO GERAL

O corpo da obra Paisanas (Canções do Meu Amado País) apresenta-se dividido em quatro partes temáticas:
Cidade e Termo – Viana; A Lenda do Rio Lima; Tricana; A Chinela; Enquanto é Tempo; Ou Sim…; Ó Tempora; Sobre a Areia; A Canção da Brigada do Minho
Murmúrios do Lima – Maria Luisa; Contemplação; Apartamento
De Boca para Fora – Lugar Comum; Soltos; Dia d’Anos; Concisa; Carta de Férias; Papelucho que Oiro Vale; Trocadilho; Verdade Velha; Timidez; O Laço; Ao Passar; Pontuação a Tempo; Trovas a uma Morena
Brisas do Mar – Dor de Cotovelo; O Leque de Baile; A Última Trova
Segue-se uma tradução para alemão do poema «Apartamento», sob o título «Trennung» por Willy Maass.

Fecha-se esta edição com uma secção intitulada Dos Jornais, na qual foram compilados vários comentários críticos sobre a obra, publicados em vários jornais no ano 1922.

LINHAS TEMÁTICAS

Em versos cheios de melodia que «…se lêem com agrado, pela simplicidade que deles dimana como a água cristalina de uma fonte…», Sardinha canta a graça e a gentil beleza da mulher do povo, da tricana vianesa (Tricana, A Chinela, Ó Tempora), cuja maneira típica de vestir, com o seu chaile e chinela de verniz – ilustrada na capa do livro – há muito se perdeu .

O tom irónico e leve com que retrata e critica aspectos da vida citadina, alia-se a descrições da terra e do seu povo «…fazendo em ligeiras líricas, verdadeiros quadros de mestre aguarelista…».

Do outro lado de mim e do meu também

Abordam-se neste livro várias temáticas que passam pelo Amor, Erotismo, Sensualidade, pelos lamentos nascidos do Ciúme, da Solidão e da Saudade provocada pela Ausência do Outro. É também recorrente a Fuga de Si / a Partida e a Procura do Outro para tornar possível a Descoberta do Eu. Prepassa também pelas páginas deste livro a ideia de uma certa fragmentação do eu poético que o conduz à sensação omnipresente de ficar aquém, de não alcançar a plenitude,de ficar num “quase”… Não faltam ainda as clássicas referências à Natureza, nomeadamente ao Mar e à passagem inexorável do tempo que remete para a morte física ou mesmo afectiva.

O Instante é a tua Face no Poema

O Instante é a tua Face no Poema oferece aos seus leitores ora uma reflexão sobre o tempo (nostalgia do passado, sua brevidade, sua fluência em poemas como “Talvez o Tempo passe”,”Se puderes escuta o Tempo”, “Ode a um Retrato”) ora um tributo à mãe natureza e ao amor (“Poema”, “Adoração”,Se eu pudesse amar-te”,”Uma Flor”).

Noite, silêncio, fogo, morte são temas recorrentes nesta obra em poemas como “Os olhos para ver a Noite”, “Nosso Silêncio de Raízes”,”O Fogo que alumia” , “A Morte como princípio”,”Na Morte de um amigo”.

O Poema

O poema é a arte da solidão

(ou o humano rumor das águas);

segue, segue a nascente __

do alto da fraga é que amas o salgueiro.

Ora di djunta mon tchiga (é a hora de darmos as mãos)

É um livro a preto e branco, constituído por 33 poemas, escritos entre 2001 e 2005 em Cacheu, Bissau e Viana. É ilustrado por belíssimas fotografias que correspondem exactamente aos referentes dos textos.

São poemas motivados pela experiência e vivências guineenses do poeta.África, Guiné é assim pretexto para exprimir o que sabe e o que sente, como está bem patente no lindíssimo poema “” África preciso de ti”. Mas África é também pretexto para o poeta nos levar a seguir o percurso dos sentidos : a visão das paisagens paradisíacas; a beleza incontestável das mulheres de Cacheu; a húmida quentura do sol africano; a sonoridade do mar, dos insectos e das aves; os aromas, os cheiros de África. A natureza africana está erótica e sensualmente representada nos poemas ´Há tão lindas mulheres em Cacheu” e ” Na praia Varela”

Mas o poeta é suficientemente inquieto para se ficar só pela comtemplação da natureza e emerge, então, uma lírica em que é invadido pela dúvida, pela impotência e pela desesperança, como no poema” Despacienta-me intruso” ou num outro, talvez dos mais bem conseguidos ” É quase noite” em que há uma busca desesperada de sentidos, de razões que leva o poeta a questionar-se -“Que faço em África? Que construo? Construo?!

Mas estas dúvidas, esta impotência são, afinal, aparências falsas porque o grande fio condutor da quase totalidade destes poemas é, sem dúvida, a esperança.O poeta só se realizará neste mundo quando uma parcela de si, que é África, for feliz. E o poeta acredita na mudança.No poema “Mesmo quando o rio é imenso” todo o léxico é escolhido para exprimir a mensagem da esperança na mudança. A esperança “mesmo quando o rio é imenso”; mesmo quando a distância que nos separa de África é um oceano; mesmo quando os homens retardam as soluções que se impõem.

É preciso dizer que José Luís Carvalhido da Ponte é um homem de projectos-afectos em que a solidariedade é a letra de forma, Assim, a totalidade da receita da venda deste seu livro, lançado em Julho de 2006,reverteu a favor da Plataforma Guiné-Bissau , de que ele é o grande impulsionador, e que se encontra a angariar fundos para vários projectos na Guiné, entre eles a construção de uma pequena maternidade.

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