Viana do Castelo

Hospital

Percorrendo a “Tábua” deste livro de poemas, sai reforçada a ideia de que os textos abordam vivências de alguém que se viu na necessidade de estar num hospital… constatamos a existência de doentes provavelmente companheiros de enfermaria, desde “O Chinês”, “O Doido Senil”, “O Bom Samaritano”, O “Filósofo” e “O Colérico”… Mas um hospital também é feito de “Dor” que muitas vezes é atenuada pela presença de “As Visitas”.

Também encontramos poemas com os títulos “corpo clínico”, “Pessoal de Enfermagem e “Pessoal Auxiliar”.

“O Juízo Final” é o último poema em que é marcante uma postura crítica em tom de apelo ao Ministro de Saúde, responsável máximo pelo barracão degradado que “tem o chão aos buracos” e onde o poeta jaz internado.

Horizonte

Nas badanas da capa e contra-capa de “Horizonte” surgem textos críticos acerca do autor de várias personalidades, como Orlando Sotto-Mayor, Napoleão Palma e Eng. Carlos Pimpão, bem como de jornais regionais e nacionais. A capa, desenhos e arranjo gráfico de “Horizonte” são da autoria de Elder de Carvalho. Acerca deste livro, o poeta refere “Horizonte…/Imagens sobrepostas/Abrem o fluxo/Dos meus versos.” e transcreve uma estrofe do livro “Desnublar”: “E assim, do sentido da palavra/Vem a esperada deturpação, /De acta de quem se lavra/Por momentos de inspiração.” Segue-se uma nota introdutória de Fernando Melim. Segundo o mesmo: “Porfírio Silva é um poeta, é um homem torturado, é um sonhador desses ideais onde o mundo, as coisas e os homens podem coexistir, um sonho, afinal, transformado em ruína e pesadelo mal é sonhado. Por isso é que escreveu este livro «Horizonte», como escreveu outros antes deles. E sempre a sua linguagem é agreste porque é uma linguagem de denúncia da injustiça, da mentira e da hipocrisia. Francisco Carneiro Fernandes, em «A Aurora do Lima», acrescenta: “A nosso ver, «Horizonte» tem a veia da sua sensibilidade, o timbre de um devir em construção, um pulsar racional, por vezes irónico e mesmo sarcástico, mas também, necessariamente, sonhador. Porfírio Silva tem a têmpera, a dureza, o estilo e a austeridade de princípios que regem a porfia da vida. Adiantaria: A objectividade em Poesia! Não é um “poeta de água doce”, mas tem o sal do pão e do mar que abraça…”. Nesta obra podemos encontrar as seguintes linhas temáticas: – reminiscências; – ânsia de ser poeta; – desigualdades sociais; – o sonho e a persistência; – introspecção; – amor; – quotidiano e o espaço como lugar de objectos e pessoas, de passagem e permanência; – inquietação; – temática religiosa e/ou mitológica; a paisagem física; poemas dialogados; poemas em tom de dedicatória…

No espólio de Juvenal e noutros

O autor divide o livro em duas partes:

1. A 1ª , No Espólio de Juvenal, dá o nome à obra e é composta por 30 sonetos onde Amadeu Torres satiriza usos e costumes do seu Portugal contemporâneo. Assim passam por nós, a “Santa esquerda”, a “Des-história estrelada”,l “O virgulismo”, “o riso aquém do siso”, o “surrealisquestão”, “os ridículos”, etc.

2. A 2ª , E noutros, divide-a em dois momentos. Chamou ao primeiro, com 20 sonetos, Flauta de Pã, e aí evoca Sebastião da Gama, José Augusto Seabra, o maestro José Pedro, Mario Luzi, o Aurora do Lima, Mariana Pineda, o Gerês, Sintra, etc.

O 2º momento, Avena Rústica, compõe-se de quintilhas, em redondilha maior, dedicadas a personagens típicas de Vila de Punhe: O Chico Vila Fria, o Tio Manuel Farofa, O Tio António Belicha, a Tia Engrácia Caixeiro, o Tone Teclo.

Espelho Quebrado

O eu poético de Espelho Quebrado realiza a busca obsessiva um tu, a perseguição frenética de uma relação amorosa eu – tu, onde soam nitidamente notas de mágoa, saudade, sedução, erotismo, angústia, desespero e solidão. Está sempre bem plasmada a referência à ausência não só do tu mas também do eu, na medida em que este se refere à queda num niilismo existencial sem qualquer possibilidade de salvação.

A omnipresença da natureza e a passagem inexorável do tempo são também leitmotive de uma poética que é o espelho da opção por uma vivência e o desejo agudo de ter enveredado por outra (vide poema 40).

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