Monografia / Estudos / Ensaio

Existências

É uma obra que,segundo o prefaciador,”partindo de circunstâncias concretas, o autor leva-nos, pela mão da palavra fácil e precisa, partindo do seu subconsciente, até à manifestação do consciente colectivo, o espaço do esquecimento onde depositamos os outros, a relação não querida com os demais, as questões e os problemas para os quais deveremos buscar soluções e de que sempre fugimos.”

Filippo Terzi à Luz dos Documentos

A obra, separata da Revista “Arquivo do Alto Minho”, apresenta, no seu corpo, dois momentos distintos. O primeiro, compreendido entre as páginas 7 a 10, versa sobre a necessidade de se construir uma barreira que impedisse o saque e a destruição por parte das incursões de estranhos. Tal barreira ficou conhecida por “fortaleza de SAntiago da Barra”. Será, assim, a história das diferentes fases por que passou a construção desta fortaleza que ocupará o autor ainda no primeiro momento, com enfoque para o papel de Filippo Terzi, que é enviado à então vila de Viana para, satisfazendo o repetido desjo da edilidade vianense, “estudar o local e traçar o plano da nova fortaleza de Viana do Castelo”. Acompanha este primeiro ponto uma ilustração, contendo a planta do Forte de Santiago da Barra, com menção da obra cujo traçado é da autoria de Filippo Terzi, assim como das construções pré-existentes e que Terzi integrou no seu plano.

Separa os dois momentos, a imagem do brasão do engenheiro.

A segunda parte, consideravelmente mais extensa do que a primeira, divide-se em três capítulos. O primeiro, denominado “A Campanha do Norte de ÁFrica”, relata a biografia do engenheiro/arquitecto e a sua presença no norte de África, acompanhando D. Sebastião no desastre de Alcácer Quibir. O segundo capítulo mostra-nos as obras de que foi responsável durante o reinado de Filipe I de Portugal e o afecto que o monarca lhe dedicou. No capítulo terceiro, apontam-se as obras de arquitectura militar (fortificações), ao longo da costa poretuguesa, que contaram com a sua intervenção.

A separata termina com um quarto ponto, denominado “Crepúsculo”, que funciona como conclusão ao estudo. Nele, António Matos Reis sintetiza os aspectos mais importantes da obra arquitectónica de Filippo Terzi e foca os seus últimos anos de vida: obras que projectou, a visita à Itália natal, o regresso a Portugal, onde viria a falecer.

Fundação da Fábrica de Louça de Viana

A publicação de seis páginas, ao que tudo indica separata de uma obra maior, é toda ela um estudo intitulado “A Fundação da Fábrica de Louça de Viana (1774) e as exportações de Louça e de Barro através do Porto de Viana do Castelo de 1772 a 1785”. Portanto, dá a conhecer, não de forma exaustiva, antes colocando a tónica nos pontos principais, a história da Fábrica da Louça de Viana.

Recuando aos primórdios da fundação da Fábrica de Louça de Viana, Matos Reis ancora a origem da fábrica, em larga medida, na política pombalina que tinha em vista libertar o país da crise em que estava imerso desde 1768, fomentando o fabrico nacional, proibindo a importação de determinados tipos de louça e oferecendo isenções como a do pagamento de direitos de saída do país. Nessa medida, a fábrica então criada em Viana do Castelo, com localização no Cais Novo, em Darque, oferecia boas condições para o escoamento dos produtos, o que não passara despercebido aos seus fundadores, os quais se tinham dado conta de o local ser um excelente entreposto de escoamento de outros tipos de louça provenientes de várias regiões do país e da Galiza, ao que se adiciona a existência de matéria- prima de óptima qualidade na região – argilas de Alvarães, entre elas o caulino.

O ensaio, apoiado em registos recolhidos da Alfândega de Viana, que o autor adverte para o facto de serem incompleto e, por isso, não possibilitarem uma visão totalmente fidedigna, patenteia também uma análise do movimento da exportação de louça entre 28 de Abril de 1772 e 20 de Junho de 1785, os seus principais destinos (além do produto destinado a consumo local – casas nobres e ricas da região – outro tinha como local de venda a Galiza: Pontevedra, Vigo e outras localidades do outro lado do rio Minho, estendendo-se, posteriormente, até ao Brasil e à Ilha da Madeira), os tipos de mais exportados e a alteração nas preferências dos compradores: da louça de Prado, louça vidrada, louça grossa, louça branca, louça grossa de Figueira, louça branca de Figueira…, paulatinamente dar-se-á primazia, pelas suas características e elevada qualidade, à louça proveniente da Fábrica de Viana que se imporá nos tradicionais mercados daquelas, conquistando uma elite económica, apreciadora de faianças de fabrico apurado.

Fundação de Viana – O Foral de D. Afonso III

Nesta obra constituída por cinco capítulos, o autor começa, no capítulo I, por situar, no momento histórico, a concessão do foral a Viana por D. AfonsO III – 1258.
No capítulo II, intitulado “A génese do foral,o autor recua ao ano de 1130, ano de outorgação do foral a Numão, considerando ser esse o documento que viria a ser expandido, com as necessárias adendas e alterações, aos vários concelhos do Alto Minho,nomeadamente ao de Viana, que viria a ser conhecido em duas versões: a primeira, de 18 de Junho de 1258, e a segunda ,de 1261, a versão definitiva, não se podendo, contudo, afirmar que o verdadeiro é o de 1258 e não o de 1261, ou o inverso.Os documentos são autênticos e ambas as versões são verdadeiras, correspondendo a importantes momentos da história de Viana.
“A organização do município segundo o foral de Viana” foi o título escolhido para o Capítulo 3.Neste capítulo, o autor, depois de definir o alcance do foral, explicita a organização, a hierarquia social, as receitas e a administração da justiça no município.
Segue-se um “Apêndice documental”, capítulo 4, constituído numa parteI por transcrições do original B do foral (versão de 1258), pela”Carta de foro concilii de Vian in foce Limie”, documento em latim, e pela sua TRADUÇÃO;a parte II integra um documento assinado pelo cronista Fernão Lopes e que é a resposta “A requerimento do concelho de Viana, favoravelmente despachado por El-Rei D.Duarte, Fernão Lopes passa uma pública forma do foral de Viana, assim como do alvará, de 13 de Maio de 1316, em que D.Dinis reduz a renda a pagar anualmente pelo município.”
O capítulo 5 “VOCABULÁRIO” explicita o sentido de termos utilizados nos vários capítulos.
A obra termina com REPRODUÇÕES FOTOGRÁFICAS do foral de Viana de 1258 e de 1262.

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