Prefácio
A magia do tempo na poesia de Fátima Meireles
Luis Dantas
Fátima Meireles ensaia novas possibilidades de compor, na proposta de uma maior intensidade expressiva. Em poemas, como Cantos Breves da Vida e A Sophia, utiliza novos recursos formais para expressar os seus sentimentos. Os poemas valorizam o ritmo da linha vertical, a geometria, a técnica do metro curto e o vocábulo, que por vezes é fragmentado ,mas apresentam-se também como objecto visual. Vem esta influência certamente dos movimentos de vanguarda, do cubismo, da arte concreta na sua fase mais avançada, da relação íntima da poeta com a pintura.
…
Outros
Badanas
Fotografia da autora, breve referência às suas atividades profissionais e lista de livros publicados e no prelo.
Contra capa
Poema de Paul Claudel:
” Opema não é feito
dessas letras que eu
espeto como pregos,
mas do branco que
fica no papel”
Excertos
À FLOR DA PELE
O Tempo no ventre da terra
e à flor da pele. O tempo não é um campo
para se medir em profundidade
só o coração o desata – corde que desce
ao fundo do poço e fundo sente
ocorrer da água
Sigo por esse tempo
em que a cintilante candeia alumia a mulher
e elas bordam em toalhas de linho
delicadas flores.
E os homens esmagam as uvas no lagar
e cantam e sobe a sede às suas gargantas
e ao alto da casa, as mulheres desses homens
entoam cantigas que o tempo perpetua
e os filhos adormecem. E sobe por toda a casa
o denso aroma do vinho novo.
(…)
TODA A SOLIDÃO
Toda a solidão criadora
pelo tempo do arado
e as mãos cheias de graça e fascínio
a semear a terra pelo lume que se ateia:
luz de todos os corações
brilho que rompe de dentro de mim
pelo supremo espanto de meus olhos.
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