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O Canto de Cisne da Louça de Viana

O estudo, separata do tomo 24 dos “Cadernos Vianenses”, é composto por um texto único ao qual se adicionam sessenta e três imagens de peças de louça, contemplando diversos modelos, agrupadas segundo critérios que têm a ver com características comuns: área pintada; cores utilizadas; tipos de peças; processos de pintura…
O texto propriamente dito, que se apresenta dividido em dois itens, inicia-se com a referência ao facto de a louça inglesa invadir o território nacional e principiar a deter a preferência do público comprador, devido ao seu preço muito mais módico e que, por este facto, competia com o mercado nacional.

Assim, as fábricas de louça portuguesas tiveram de lançar mão de diferentes estratégias de modernização e de optimização dos seus recursos, assimilando (embora com alguma relutância) processos de estampagem e inspirando-se em motivos ingleses, aos quais imprimem uma feição própria.

Segue-se uma referência cada grupo de peças, tendo por base a codificação das fotos catalogadas de 1.1 a 1.12.

Num segundo ponto, Matos Reis dá-nos a conhecer a vontade dos artistas vianenses em manter personalizada a sua produção, fazendo com que a sua intervenção se sobrepusesse ao emprego de instrumentos mecânicos. Optaram, então, pelo processo denominado transfer-print, o qual exigia o retoque manual e que o autor do estudo explica com algum detalhe. Termina este ponto o inventário das peças catalogadas de 2.1 a 2.12.

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Conheça o autor

"António Matos Reis nasceu nos arredores de Ponte de Lima, em 21 de Abril de 1943, e reside e trabalhou em Viana do Castelo, desde 1975 até à data de aposentação. É mestre em História pela Universidade do Minho, apresentando uma dissertação em História Medieval, posteriromente publicada em 1991, com o título "Origem dos Municípios Portugueses". Tal obra veio a tornar-se uma referência obrigatória para quantos se debruçam sobre a história do municipalismo em Portugal. Obteve o doutoramento, em 2004 com a defesa de tese sobre "Os Concelhos na primeira dinastia". Especializou-se em Museologia, na U.I.A. de Florença, em 1977, e pós-graduou-se em Estudos Especiais de História e Crítica de Arte, na mesma Universidade, em 1984. A sua actividade profissional repartiu-se até à data de aposentação, entre o ensino secundário oficial (1966 - 1999) e a direcção do Museu Municipal de Viana do Castelo (1989 - 2006). Neste museu exerceu o cargo de Conservador. Foi também Director do Departamento de Desenvolvimento Económico, Social e Cultural da Câmara Municipal de Viana do Castelo, desde 10 de Maio de 1990 até 31 de Dezembro de 1993. Tem exercido funções de direcção em várias associações: Vice-Presidente e depois Presidente da Direcção do Centro de Estudos Regionais; Secretário-geral e depois Vice-Presidente do Instituto Cultural Galaico‑Minhoto; sócio fundador e membro da Comissão Instaladora do Instituto Limiano - Museu dos Terceiros; sócio fundador, membro da comissão instaladora e Presidente da Direcção da Associação de Jornalis­tas e Homens de Letras do Alto Minho. É membro de várias associações, entre as quais se destacam: a Sociedade Portuguesa de Estudos Medie­vais; a Sociedade de Museologia, de Florença; o ICOM (International Council of Museums); a APOM (Associação Portuguesa de Museologia); a ASPA; a APH; a APAC. Foi Presidente da Comissão Organizadora das IV Jornadas Regionais sobre Monumentos Histórico‑Militares (Valença, 1984); membro da Comissão Organizadora do Congresso sobre a Ordem de Cister em Espanha e Portugal (Ourense, 1992) e da Comissão Organizadora do V.º e do VI.º Colóquios Galaico-Minhotos (Braga, 1994; Ourense, 1996). Reorganizou o Arquivo Histórico da Misericórdia de Ponte de Lima, e promoveu a publicação do respectivo catálogo. Em 1995, fez o levantamento do Património Cultural, situado entre Caminha e Esmoriz, para o Plano de Ordenamento da Orla Costeira. É autor de cerca de centena e meia de títulos, entre livros, estudos e artigos publicados em diversas revistas. Proferiu já várias conferências, em congressos e colóquios, em Portugal e no estrangeiro. Por deliberação unânime de 27 de Janeiro de 1997, a Câmara de Ponte de Lima atribuiu-lhe a "Medalha de mérito cultural" que lhe foi entregue no dia 4 de Março do mesmo ano, na sessão solene comemorativa da fundação da vila."
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Excertos

“Em 1847, para dobrar a energia dos povos, designadamente os do norte do país, sublevados contra o autismo do governo central, no movimento que foi designado como a Patuleia, os ingleses assenhorearam-se, ainda que transitoriamente, dos portos do litoral.

Mais profunda do que o efémero domínio militar foi a dependência económica em que o país vinha a mergulhar, em consequência, por um lado, do fim do proteccionismo interno e, por outro lado, da falta de estruturas produtivas capazes de competir com as da Inglaterra, que se encontrava na vanguarda da primeira revolução industrial.

Os produtos ingleses passaram a invadir o país e a penetrar em todos os lares. Para o êxito dos artigos importados contribuiu o abaixamento do preço, devido à diminuição do custo da mão-de-obra, que se tornou possível com o recurso aos processos de fabrico mecânico e em série. Por sua vez, a novidade agiu como factor psicológico, ao estimular o interesse, a que se ficou a dever a maior difusão de um artigo que passara a estar na moda.

Algumas indústrias portuguesas procuraram adaptar-se à situação, modernizando-se para vencer a crise. Outras, porque o não fizeram, ou não conseguiram o êxito necessário, soçobraram.

A fábrica de louça de Viana conta-se entre as que procuravam reagir e adaptar-se às novas condições e às alterações do gosto dos consumidores. Conseguiu aguentar-se até 1855, produzindo uma grande variedade de peças em que se nota a influência da arte importada, sem, no entanto, lhes faltar a beleza que tinha feito a sua glória.

1- As louças que em grandes quantidades os ingleses faziam chegar a Portugal traziam as paredes cobertas de largas composições estampadas por processos mecânicos.
Sem se dobrar logo à técnica da estampagem, os ceramistas de Viana adoptaram, num primeiro momento, um processo de decoração que visava responder, ao mesmo tempo, à necessidade de maior rapidez na execução e à maior amplidão da superfície coberta com a mancha pictórica. Assim, em vez de minuciosa decoração com linhas e motivos vegetais e geométricos, a fábrica de Viana adoptou uma técnica de decoração a pinceladas largas, vizinha das técnicas de cavalete, conservando, no entanto, a mesma variedade e harmonia de colorido. Os ramos e as decorações em forma de palmeta, muitas vezes assimétricos, são os que melhor se adaptam a este processo decorativo, em que o cromatismo prevalece sobre o mimetismo. A espiral que continua a aparecer num grande número de peças, embora no início parecesse de realização difícil, tornava-se, depois de o artista mecanizar a execução, num processo fácil de preencher uma grande superfície, aliando a essa característica a graciosidade e o dinamismo que lhe são inerentes. (…)

2- Se as faianças não conseguiram resistir à moda da decoração estampada, os artistas de Viana não se vergaram totalmente à execução de uma tarefa repetitiva e sempre igual, nem se despojaram das suas capacidades para as confiar cegamente a um instrumento mecânico. Os nossos decoradores de cerâmica adoptaram uma técnica mista: uma parte da decoração era estampada, segundo o processo designado como transfer-print; esta decoração era depois retocada e completada com outra, executada manualmente pelo artista. O processo tinha duas faces: sobre uma lâmina de cobre ou de aço, preparava-se o desenho com tintas adequadas, que continham corantes constituídos por óxidos de cobre, antimónio, cobalto, manganês e outros, misturados com óleo de linhaça; tirava-se em seguida uma prova sobre papel fino humedecido, que em seguida se aplicava sobre a peça a decorar, previamente preparada com um mordente ou uma mistura salina, acentuando o contacto com a pressão de um pequeno rolo de feltro; feita assim a transferência do desenho, levantava-se o papel e leva-se a peça ao forno, de modo que a cozedura fazia evaporar o óleo e fixava as cores. (…)”

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